segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Vidas secas: A escassez em Santa Isabel registrada em fotojornalismo

Ela teve espaço garantido em todos os jornais e mídias do país, desde grandes manchetes até notinhas de rodapé. A água um bem precioso que forma 70% do nosso planeta está chegando ao fim.
Durante os anos de 2013 e 2014 acompanhei de perto em matérias para o Jornal Ouvidor o drama de famílias de Santa Isabel que passaram dez, 20 e até 30 dias seguidos sem água. A Prefeitura tomou medidas extremas, bairros sofreram racionamentos, o Estado cedeu caminhões pipas, uma transposição foi feita para levar água da Represa do Jaguari ao Ribeirão Araraquara, este que abastece 70% da área urbana da cidade e que durante a seca chegou ao seu nível zero.
Barragens foram construídas por duas vezes, a primeira durou uma semana e a força da água do Jaguari a levou embora. Uma segunda foi construída em tempo recorde e a cidade conseguiu armazenar o maior número possível de água para abastecimento humano.
Manifestações, torneiras secas, filas nas bicas da cidade, famílias exibindo suas contas de água pagas em dia para evitar o corte daquilo que eles não tinham, canos quebrados pela cidade, a polícia intervindo e escoltando caminhões até os bairros enquanto isso mais canos quebrados na região central. Estas e outras imagens você confere na publicação “Vidas secas”.  



Com o calor escaldante crianças se banham em bica no Bairro da Avenida Brasil em Santa Isabel.

No Bairro do Jd. Novo Éden uma senhora olha feliz um caminhão pipa que estacionou na porta de sua casa para abastecer as residências do bairro.
  
Ribeirão Araraquara responsável pelo abastecimento de 70% da área urbana da cidade que tem capacidade para armazenar 1,20m chegou a menos 10 centímetros de água.
Manifestações em busca de água
No Bairro Vila Guilherme, moradores cercam caminhão pipa e exigem que motorista abasteça suas casas. 

Moradores da Vila Guilherme fazem manifestação em Avenida Coronel Bertoldo. 

Polícia Militar permite manifestação e negocia com moradores a liberação de uma das vias.

Morador se banha com água da rede pluvial ao fundo outros com baldes vazios exigem abastecimento em suas casas. 

Na Vila Guilherme moradores interditaram as duas vias da Avenida Coronel Bertoldo que dá acesso ao centro da cidade e a Rodovia Presidente Dutra. 

No Bairro Jd. das Acácias moradora mostra que a torneira do cavalete não recebe água há 15 dias.

Com as torneiras secas a louça suja acumula na pia da cozinha, no Jd. das Acácias.  
O custo da seca: Moradores exibem contas que vieram mesmo sem água nas torneiras
No Bairro da Cachoeira onde a rede de abastecimento municipal não envia água, famílias que dependem de poço, ficaram sem água durante um bom tempo.

Família teve que comprar água mineral para cozinhar e até tomar banho.

No Bairro Vila Gumercindo moradora ficou dez dias sem água e mesmo assim conta veio com a cobrança normal de todos os meses.



Indignados moradores do Jd. Novo Éden exibem contas de água pagas.

No Bairro Jd. Novo Éden o caminhão pipa teve que subir escoltado, Prefeitura mobilizou seus profissionais para conversar com os moradores e tentar acalmá-los. No meio deles de óculos escuro o ex-diretor de Serviços Municipais, Reinaldo Nunes.
Fernanda Cristina Ribeiro grávida ao lado do irmão, mãe e marido ficaram mais de 20 dias seguidos sem água no Bairro Jd. das Acácias.

Meses depois após o nascimento da filha, a família de Fernanda ainda sofria com a escassez que assolou durante dias a parte alta do Jd. das Acácias.


Com o vaivém da água na torneira Fernanda Cristina não conseguia manter a casa limpa. Prefeitura realizou obra de expansão da rede de abastecimento no bairro o que promete minimizar a seca.
Prefeitura faz barragem para amenizar seca
A primeira Barragem que a Prefeitura construiu na Represa do Jaguari, durou menos de uma semana. O alto nível da água e a forte pressão dela a fizeram desbarrancar. 
A sujeira no ponto da régua indica que o nível da água armazenada com a barragem, chegou a 4m.
Após o desbarrancamento o nível da represa chegou a 1,5 metros centímetros na área da barragem. Um novo enrocamento foi construído em três dias. 
Polícia intervém para evitar briga entre moradores e escoltar caminhões pipas nos bairros
No Bairro Pq. São Benedito a Polícia é acionada para conter bate boca entre moradores que queriam que caminhão pipa da Prefeitura, abastecesse suas casas. 
  
Profissionais do Departamento de Água e Esgoto se mobilizam para consertar adutora que rompeu no Bairro Jd. Cruzeiro e interrompeu abastecimento em três outros bairros.
Nunca as bicas foram tão procuradas
Morador  sem água a cinco dias, retira água da bica no Bairro Av. Brasil.




Bica Av. Brasil.



População ainda não sabe qual foi o motivo, mas bica no Bairro Av. Brasil foi fechada e para evitar que alguém pegasse água torneiras foram arrancadas.

Perto das 23h moradores fazem fila em bica no Bairro 13 de Maio para encher garrafões.
 
Indignado comerciante mostra a realidade diária dos moradores do Bairro Jd. Cruzeiro que fazem fazem fila durante o dia para encher garrafões em bica.
Fotos de Bruno Martins publicadas em matérias do Jornal O Ouvidor entre os anos de 2013 e 2014.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Internautas criam página em rede social para prestigiar execução de brasileiro na Indonésia

Além do brasileiro outras cinco pessoas de países diferentes estão no corredor da morte para serem fuziladas nas próximas 72 horas. Todos serão vendados e podem escolher morrer de pé, sentado ou deitado.
Com menos de 15 horas de criação a página na rede social Facebook “Assassinato de Marco Archer Cardoso Moreira”, já estava com 113 confirmações de pessoas que iriam prestigiar de suas casas a morte do brasileiro Marco Archer, 53, condenado por tráfico internacional de drogas em 2004 ao tentar entrar com 13 quilos de cocaína na Indonésia. A droga estava escondida dentro de tubos de uma asa delta.
Marco Archer durante julgamento em 2004
Não há informações sobre quem teria criado a página, apenas uma mensagem anexada no topo dela mostra que o criador é favorável à execução: O Cara foi preso por tráfico de drogas e a Dilma pediu para o Presidente da Indonésia liberar o 'querido', mas felizmente o Sr. Joko Widodo a ignorou e vai chamar o cara na bala, e é claro, todos nós, brasileiros de bem, devemos participar deste mega evento”, diz a mensagem.
Em meios às matérias de jornais publicadas na página há seguidos comentários de internautas que se mostram favoráveis à condenação e outros poucos que acreditam que Marco deveria ter uma segunda chance.
Nem mesmo a publicação de um vídeo onde o brasileiro se mostra arrependido do que fez convence os internautas. Nele o Marco revela que pretende voltar ao Brasil para contar sua história a jovens que querem ingressar no mundo do tráfico. “Para mostrar que a droga só leva a dois caminhos, a prisão ou a morte”, diz. Em seguida o comentário de um internauta ressalta que ele não precisa voltar ao Brasil para mostrar nada aos jovens daqui. “Sua execução já será um grande exemplo para que eles nunca se aproximem da maldita droga. Morra desgraçado”, acrescenta.
Em outra publicação uma jovem se mostra contra a morte do brasileiro, mas sugere que a presidente Dilma expulse os Indonésios do Brasil, uma vez que teve o seu pedido de clemência negado pelo governo da Indonésia.
A presidente Dilma Rousseff telefonou na tarde de ontem para o chefe de estado do país Joco Widodo solicitando que não fosse aplicada a pena de morte a Marco, mas seu pedido foi negado: “Não há clemência para traficantes”, declarou Widodo.
Em outras duas páginas que se mostram contra a condenação do brasileiro criadas nesta semana houve poucos seguidores. Em uma delas que propõe uma passeata contra a morte de Marco Archer, 11 pessoas confirmaram presença ao evento, mas não há endereço de onde seria realizado o ato.
O professor de jornalismo e Doutor em Ciência Política, Leonardo Sakamoto defendeu em seu artigo publicado hoje em seu blog no Portal UOL que as pessoas que se mostram pela rede social, favoráveis a pena de morte do brasileiro opta pelo terrorismo ao invés de buscar mudanças estruturais. “Não defendo o crime, tão pouco bandidos e traficantes, defendo a descriminalização das drogas como parte do processo de enfraquecimento dos traficantes”, declarou e acrescenta. “O que está em jogo aqui é que tipo de Estado ou Sociedade estamos nos tornando ao defendermos pena de morte ou justiça com as próprias mãos”.
A execução de Marco, que no Brasil trabalhava como instrutor de voo, esta prevista para este sábado, 17, ás 16h horário de Brasília, madrugada de domingo no horário local, segundo confirmou o Itamaraty. Alguns familiares visitaram Marco no presídio na manhã de hoje.
Além do brasileiro, outras cinco pessoas de países diferentes estão no corredor da morte para serem fuziladas nas próximas 72 horas. Todos tiveram pedidos de clemência negados, serão vendados e podem escolher morrer de pé, sentado ou deitado.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A intimidade nas ruas

Todo o lixo tem um significado, em todo sofá há uma história, seja de amor, ou até mesmo um crime... Nos armários além da comida talvez uma arma já tenha sido escondida, a mesma que foi usada para cometer um crime (Em cima do sofá que também foi para o lixo).

"A intimidade nas ruas" traz um pouco dos móveis e acessórios pessoais que ocuparam nos últimos anos as calçadas de algumas cidades. Afinal cada lixo tem uma história.

Coleção de sofás 










Moda cozinha







Fotos de Bruno Martins feitas entre os anos de 2013 a 2014 nas ruas de Santa Isabel.

Aguardem em breve mais fotos deste tema.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

"Os portais de notícias vieram para somar", diz Heródoto Barbeiro

Tive a oportunidade de entrevistar Heródoto Barbeiro para saber do Jornalista e apresentador a opinião dele sobre o jornalismo digital (Portais de notícias x jornalismo impresso). Heródoto que teve passagens pela TV Gazeta, TV Cultura, ajudou em 1991 a fundar a Rádio CBN onde foi ancora e apresentador do Jornal da CBN, atualmente é apresentador e editor chefe do Jornal da Record News.


A opinião de um dos jornalistas mais premiados do Brasil, você confere aqui no Foca na Ação.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Thales passou o bastão para Ana, Ana passou para Ricardo, Ricardo pode passá-lo para você

As vidas que se cruzaram nos encontros do Projeto Repórteres do Futuro, dividem agora o prazer de terem conquistado o mesmo prêmio nas três últimas edições e com ele a oportunidade de estudar fora do país

A vida de estudantes de jornalismo é um aprendizado instantâneo, a largada é dada no vestibular, mas de nada adianta dar o primeiro passo se for somente para andar em busca de um diploma. Nesta semana Ricardo Rossetto foi anunciado como o vencedor do 9º Prêmio Santander Jovem Jornalista. A história dele se mistura com a de Ana Carolina Neira e Thales Willian, que venceram o mesmo Prêmio nas duas últimas edições. Vidas diferentes que aprenderam que os sonhos vão além dos muros das universidades.
Thales, Ana e Ricardo se conheceram entres encontros de um projeto denominado Repórteres do Futuro. Sob os conselhos um pouco repetitivo, mas de grande valia do ex-professor universitário e fundador do grupo, Sérgio Gomes, eles ouviram incansavelmente que “Jornalista que é jornalista precisa estar sempre preparado para fotografar, filmar, registrar qualquer momento que possa ser de interesse de uma terceira pessoa”. Foi seguindo este conselho, que hoje os já formados jornalistas conseguiram lapidar o fílin que havia dentro de cada um.

Thales Willian venceu o Prêmio em 2012
Foto: Divulgação
Natural de Roseira no interior de São Paulo, Thales conseguiu ingressar na universidade após ganhar uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni). Ele se mudou para Mogi das Cruzes, onde se formou pela Universidade Brás Cubas. Foi perto do último ano do curso, em 2012, que Thales participou pelo segundo ano consecutivo da Semana Estado de Jornalismo. Resultado de uma parceria entre o grupo Santander e o Jornal O Estado de S. Paulo.
Era a sétima edição daquele ano e após a semana de congresso o estudante escreveu a matéria. “Projeto leva exemplo de motivação a alunos carentes”. Eleita a melhor matéria entre as demais que lhe rendeu uma bolsa de estudos na Universidade de Navarra, em Pamplona na Espanha.
Em Navarra, Thales se especializou por seis meses em jornalismo digital. “O prêmio me permitiu alcançar um mundo novo. Este intercâmbio onde pude conhecer estudantes de várias nacionalidades me agregou ainda um olhar diferente sobre a realidade”, acrescenta o estudante que atualmente vive em Tijuana no México onde faz pós-graduação em sociologia.

Ana Carolina venceu a edição de 2013
Foto: Nivaldo Silva
Depois de Thales, foi à vez da paulistana com sotaque São Bernardense, Ana Carolina Neira vencer no ano seguinte o mesmo prêmio.   Ex-aluna da Cásper Líbero, ela se formou no final do ano passado e foi em agosto deste ano para a Espanha. Entre disciplinas opinativas e obrigatórias de Navarra, que é considerada uma das melhores universidades de jornalismo do mundo, Ana ressalta a importância de aprender o fazer jornalístico tendo como base a imprensa espanhola. “Eu agora consigo ter uma visão mais global das coisas, posso comparar o jornalismo do Brasil com o de outros lugares, o que é bom para o exercício da nossa profissão. Além de um novo idioma, o Prêmio me permitiu me aprofundar mais nas áreas de política, internacional, direitos humanos e jornalismo digital, com as quais pretendo trabalhar um dia”, diz.  
“Um pedacinho do Paraguai na Zona Oeste de São Paulo”, foi à matéria escrita por Ana para concorrer ao prêmio. Ela alerta para a importância dos estudantes que pretendem um dia participar da Semana Estado de Jornalismo, de estudar os textos produzidos por finalistas dos anos anteriores e em seguida procurar contar uma boa história que seja de interesse geral.

Ricardo venceu a 9º edição nesta semana
Foto: Nivaldo Silva
Foi atrás da melhor história que o Cásperliberiano Ricardo Rossetto conseguiu escrever a matéria “Em site: Indígenas ensinam sua história e derrubam preconceito” e com ela vencer na segunda-feira, 01, a 9º edição do prêmio. Ricardo ressalta que o faro jornalístico não surge por acaso e deve ser constantemente praticado através da busca de formação cultural e é ai que entra a importância dos cursos de extensão universitária. “O jornalista precisa ser um profissional multidisciplinar e sua formação cultural é um bem que ninguém pode lhe arrancar, não devemos ser profissionais medianos, por isso é importante sair da zona de conforto e meter as caras neste concorrido mercado, afinal o mundo esta ai para conquistarmos”, aconselhou.  

Para Rossetto a convivência com jornalistas experientes, fruto da ligação dele com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Projeto Repórteres do Futuro onde conseguiu realizar inúmeros cursos extras curriculares, contribuiu e muito para o resultado de sua conquista. “Eles me ensinaram o caminho das pedras e a estes mestres e aos que tive na universidade, sou eternamente grato além do apoio e companhia que sempre tive da minha namorada Raquel Brandão”, acrescenta.
Ana, Ricardo e Thales, três repórteres do futuro que aprenderam que o jornalismo se faz além dos prédios acadêmicos e que a procura do aprendizado deve ser insaciável. Uma corrida sem fim cujo bastão será passado para aqueles que têm interesse e principalmente curiosidade.

A corrida continua. Avante!