terça-feira, 6 de maio de 2014

Resenha: Cabeça de Turco - Jornalista denuncia o preconceito dentro de sua própria sociedade

Fonte: Google
Cabeça de Turco é uma obra de 1985, escrita pelo jornalista alemão Gunter Wallraff. O livro é o resultado de dois anos de investigações deste jornalista que nesse período inteiro abandonou sua real identidade para se tornar o turco Ali Sinirlioglu e assim desvendar a discriminação que existia entre os alemães contra os milhares de imigrantes, que viviam naquele país.

Em outra vida, porém sem deixar de ser repórter Wallraff passa a ser o imigrante turco Ali, que vive na Alemanha e que está sujeito a todos os tipos de trabalhos pesados para não ser deportado para o seu país de origem, pelo menos era isso que ele alegava quando procurava empregos nas indústrias e canteiros de obras alemães. O jornalista estava disposto a fazer parte de uma minoria que vivia na pior em busca de denunciar aquilo que ele já tinha conhecimento, mas nunca vivenciou.

Sarcástico e atraente do início ao fim “Cabeça de Turco” é um livro escrito por um alemão que sem medo denunciou o preconceito que corria dentro dos porões de sua própria sociedade.

Uma das características desta obra é como o autor soube interpretar o papel do robusto Ali que com o uso de uma peruca aparentava ter 26 anos, quando na verdade estava em um corpo de 43 anos de um homem que era calvo. Wallraff passou por um intenso treinamento para aprender a falar o alemão pronunciado pelos turcos, desrespeitou qualquer concordância verbal. O escritor passou a ser o principal ator da história que tinha que descrever em detalhes as humilhações que sofria e as que testemunhava, viver várias cenas em um único dia e tomar nota de tudo sem se esquecer dos nomes dos humilhadores e das empresas a quais faziam parte.

Após publicar em vários jornais um anuncio sobre um estrangeiro robusto a procura de emprego, disposto ainda a receber pouco. O turco Ali conseguiu trabalho nas principais indústrias dentre as denunciadas no livro estão à Industria August Thyssen Hutte – ATH e um restaurante da rede Mcdonalds, onde o autor descreve que chegava a usar o mesmo pano que limpava o chão do restaurante e dos banheiros na limpeza das mesas. 

Humilhações e indiferenças Wallraff começou a sofrer ao circular, na pele de Ali, até em festas dos alemães burgueses e inclusive dentro das religiões das quais tentou fazer parte alegando que era uma forma de não ser deportado para o seu país de origem e teve o batismo católico negado.

O que impressiona no autor é a potencialidade de conseguir descrever tudo e se preocupar com os mínimos detalhes que certamente fazem os leitores se sentirem dentro da história. Desde a humilhação de ser encarregado a limpar um banheiro imundo que vivia entupido sujo de urina e fezes em um canteiro de obras, em Dusseldorf até o risco de trabalhar sem máscaras dentro de camarás de gás na Thyssen onde constantemente ocorriam vazamentos, no entanto os imigrantes eram obrigados a continuar na limpeza, como se nada estivesse acontecendo.   

Fonte: Blog.zeit.de
No capítulo “Cobaia humana” Gunter Wallraff desafia os seus próprios limites ao aceitar trabalhar como cobaia no Instituto LAB um laboratório onde os imigrantes ou ex-presidiários permitiam que lhes fosse retirado sangue de hora em hora, além de aceitar a tomar medicamentos para testes. O comprometimento de sua saúde obrigou Wallraff a abandonar esta parte da investigação pela metade porém os relatos são o suficiente para chocar.

Como todo o livro reportagem mais do que tornar público sua experiência o autor contou com o depoimento de pessoas que a mais tempo do que ele viveram este período de exclusão da sociedade alemã. Ainda na Tyssen ele conheceu um alemão de nome turco Yuksel Atasayar, este foi o único que percebeu que Wallraff ali estava para conseguir reverter àquela situação, pois por vezes observava o jornalista em um canto da fabrica fazendo suas anotações durante os curtos intervalos que tinham. Yuksel fazia questão de passar informações importantes sem saber, nem questionar onde e como Wallraff as utilizaria.

Fonte: Classes de Periodismo
Considerado o sinônimo do jornalista investigativo na Alemanha Gunter Wallraff produziu uma matéria longa que deu origem ao seu livro “Cabeça de Turco”. O autor e jornalista consegue ser antes de tudo o ator que faz usos de cabelos e bigodes falsos, lentes de contato e se preciso for até cadeira de rodas para demonstrar não uma deficiência, mas uma fragilidade ignorada pelo interesse de alemães que procuram empurrar para um rico turco o pior dos cachões alegando ser o melhor da loja, só porque o mesmo está no fim da vida.

Fonte: Google
Wallraff denunciou o tráfico de mão de obra barata que faziam dos turcos e outros imigrantes escravos de uma Alemanha que em 1985 governada por Mikhail Gorbachev, líder da União das Repúblicas Soviéticas Socialistas – URSS caminhava ainda a curtos passos para aquela que em novembro de 1989 seria a reunificação dos seus povos com a queda do muro de Berlim que decretaria ainda o fim da Guerra Fria. O país ao mesmo tempo que se mostrava livre estava preso a um preconceito étnico.

Gunter Wallraff conquistou com “Cabeça de turco” em 1985 o prêmio de literatura de direitos humanos da França. O livro, considerado o melhor pós-guerra, vendeu mais de um milhão de exemplares só na primeira semana de lançamento e proporcionou centenas de processos contra a empresa Thyssen.

Wallraff é autor de outras obras como Fabricas de Mentira (1977) – O falso repórter Hans Esser que entrou para trabalhar no tabloide Bild Zeitung, para mostrar como o veículo distorcia as notícias. Outra obra que se tem conhecimento é A Descoberta de uma Conspiração (1976). Atualmente o escritor está com 71 anos e não há informações se ele ainda vive na Alemanha ou em outro país.

Meu 1° Prêmio de Fotojornalismo

Em agosto de 2012 ao participar da 6° Semana de Fotojornalismo da Universidade de São Paulo - USP pude competir na saída fotográfica pelas ruas da 25 de março juntamente com outros 120 participantes. A foto teria que ser pertinente ao tema discutido durante toda a Semana que foi "Caos".

O 1° lugar levaria como prêmio uma câmera Canon T3, o 2° Uma bolsa de estudos na Escola Techimage e o 3° livros dos fotojornalistas que palestraram naquela semana: Alan Marques, Rogério Ferrari e Evandro Teixeira.

Além da experiência adquirida em todos os encontros, a 6° Semana de Fotojornalismo da USP me rendeu meu primeiro prêmio no jornalismo e estimulou em mim a paixão pela fotografia.



Nota publicada no site dos organizadores

Matéria publicada no site da Universidade Guarulhos
Foto vencedora: "Os Esquecidos da 25"
No ano passado a 7° Semana de Fotojornalismo ocorreu entre os dias 19 a 23 de agosto. O tema de 2013 foi "Mulheres".


os PRÊMIOs foram

1º Lugar - Diana F+ Colette Package da Lomography Gallery Store + Livro #Euvistopele, de Dove Loções
2º Lugar - Livro Mulheres e Movimentos de Claudia Ferreira e Claudia Bonan + Livro De Peito Aberto de Hugo Lenzi e Vera Golik + Livro #Euvistopele, de Dove Loções
3º Lugar - Livro Metrópole - Hildegard Rosenthal, com texto de abertura de Maria Luiza Ferreira de Oliveira + Livro #Euvistopele, de Dove Loções

A semana de Fotojornalismo da USP ocorre sempre no mês que antecede o dia do fotojornalista comemorado no dia 2 de setembro.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Bourdieu criticou e a TV nada mudou - Resenha: Sobre a Televisão

Fonte: Nova Jornalista
Sobre a Televisão é uma obra publicada no Brasil em 1997, o livro do autor francês Pierre Bourdieu (Destacado sociólogo do século XX), retrata um pouco da censura oculta que existe na televisão por trás de discursos falsos e imagens que muitas vezes não simbolizam a verdade daquilo que realmente está acontecendo.
Sua obra é embasada na influência que a televisão adquiriu na vida das pessoas e naquilo que ela deixou de ser. Em seu Prológo do livro o autor, confessa que tentou colocar em primeiro plano, um discurso diferente, analítico e crítico. Bourdieu espera que suas analises ajudem aos profissionais da televisão inclusive aos jornalistas que façam com que essa mídia possa servir como instrumento de democracia e não de opressão simbólica.
O autor critica a posição a qual cientistas e/ou filósofos que são convidadas a irem a um programa de televisão para discutirem sobre um determinado assunto, se submetem em serem privados de dizerem aquilo que pensam, para ele a televisão é como uma caixa de narcisismo um ponto de encontro de narcisistas que estão ali somente para serem vistos e para agradarem o jornalista que os convidou.
Ao falar da “censura invisível” nos programas jornalísticos o autor critica o fato das emissoras colocarem assuntos que não apresentam soluções, ou que não dão oportunidade do telespectador em debater sobre, para ele assuntos fúteis que não chocam ninguém tomam o tempo na TV dos assuntos de interesse social.
Para o escritor, se a TV não chamar a atenção do telespectador ela está se submetendo a autocensura, porém ele leva essa explicação para o fato da mídia ter aberto suas portas aos programas sensacionalistas, sejam aqueles que mostram sangue ou sexo não importa, o importante é conseguir vender anúncios e se manter.
Bourdieu comenta o fato das emissoras dependerem de seus anunciantes e/ou do Estado que dá a ela a concessão para atuação, assim eles conseguem determinar o que é transmitido por ela. Em seu livro ele cita exemplos de emissoras americanas que tem como proprietários ou sócios, empresários de outras áreas.
Ainda dentro dessa critica apontada pelo autor, no tema “A circulação circular da informação” ele explica o conceito da audiência na televisão que ajuda os produtores a medir o interesse do público, além de proporcionar condições comerciais. A audiência é o juízo final que irá determinar o tipo e estilo de jornalismo que a emissora terá.
Neste trecho o autor faz uma comparação da diferença dos profissionais de cinema para os profissionais da redação, ambos possuem uma equipe, porém o cinema os reconhece nos scripts que sobem após o final do filme, já nas redações esse coletivo se restringe a um grupo de jornalistas que se deixam levar pelo interesse de serem sempre os primeiros a chegarem a um determinado local e darem uma notícia antes de seus concorrentes, esse grupo de profissionais passam a maior parte do tempo na redação discutindo o que os outros jornais deram e o que eles deixaram de dar. Esse pensamento do autor se reforça com o trecho “A urgência e o fast thinking” essa espécie de concorrência entre esses profissionais gera uma série de consequências. O fast thinking (pensamento rápido) na televisão pode ocorrer que aqueles que realmente têm alguma coisa a dizer de importante não sejam ouvidos.
Fonte: Educar para crescer

Para tratar os tipos de censura da televisão, Bourdieu usa como exemplo os programas de telejornais que mostram algo importante de forma insignificante, como dito no início do texto o autor abomina o uso de imagens que muitas vezes não retratam o que realmente está acontecendo, numa forma que ele se refere de “Mostrar ocultando”. Neste mesmo trecho do livro ele alerta que a TV desempenha um papel importante na cobertura de manifestações e querer se manifestar sem fazer uso dela é como dar um tiro no pé, pois é através dessa mídia que elas tomarão grandes proporções podendo atingir o esperado.
Bourdieu mostra-se indignado ao falar sobre apresentadores e/ou jornalistas que se deixam levar pelos debates verdadeiramente falsos, ou falsamente verdadeiros, que fazem perguntas aos entrevistados que não possuem peso nenhum, que se mostram despreparados permitindo assim que os entrevistados respondam aquilo que bem querem ou até mesmo as perguntas que não foram feitas.
“As concorrências e fatias de mercado” faz com que muitos jornalistas coloquem em jogo a própria reputação em busca do furo. Estar sempre a frente é essa bandeira que eles defendem, porém muitos acabam se surpreendendo com coisas não surpreendentes e fazendo pouco caso de coisas espantosas. Assim os próprios profissionais abrem brecha para a banalização e utilizam assuntos que não levantam problemas ou que não abrem portas para discussões e debates.
“Sem saber os jornalistas deixaram se submeter à censura”, Bourdieu garante essa colocação ao falar da TV na década de 50 quando ela ainda estava em experiência no Brasil e possuía poucos programas jornalísticos com uma grade voltada para a cultura.
Em quase boa parte do seu livro o autor se refere à pessoa que pela audiência passa a ter influência da televisão e os programas que começam a ter influência na vida das pessoas, além dos diferentes papeis que o jornalista desempenha, o autor chega a comparar este profissional com um bombeiro, que pode contribuir para criar um acontecimento pondo em discussão em uma notícia.
Bourdieu fala da luta da audiência em nome da democracia para dar as pessoas à possibilidade de julgar sendo isto é conhecido como legalidade externa e puramente comercial.
Saindo das análises do que a TV se tornou com a influência de alguns programas jornalísticos e sua grade, Bourdieu entra no quesito “A influência do jornalismo” e alerta que essa influência não é nada radical. De acordo com o escritor o campo jornalístico impõe sobre os diferentes campos culturais, sendo este um campo com peso comercial e muito maior.
A televisão contribui para orientar toda uma produção no sentido em que seus jornalistas se esforçam para impor sua visão do campo, embora sua eficiência se efetive quase sempre através de ações singulares seus efeitos sobre outros campos e determinantes pelas estruturas que os caracterizam.
Em relação aos jogos olímpicos, o autor entra na questão que a TV dá mais importância a um jogo e/ou um atleta, do que o outro. De acordo com Bourdieu, será preciso analisar as diferentes intensificações da produção que a televisão produziu sobre os jogos olímpicos assim cada um sofre efeitos para as ações, buscando a expansão do universalismo.
Pierre Bourdieu mostrou sua indignação com a forma que profissionais da televisão tratam a televisão, um instrumento que possuiu influência significativa na vida das pessoas, assim sendo ele conseguiu criar este livro do qual ele mostra o quanto os programas jornalísticos permitiram se autocensurar. O escritor citou exemplos, colocou seu ponto de vista e falou um pouco em cada trecho de suas experiências.
Pierre Bourdieu dedicou parte da sua vida a estudos relacionados à lógica da história e da ciência, formou-se em letras aos 21 anos, mas tarde cursou filosofia. Em um período da sua vida o escritor teve que se dedicar ao serviço militar na guerra da Argélia, a partir dessa experiência Bourdieu começou a dedicar-se a questões sociais e políticas. Mas tarde de volta para França ele iniciou a carreira de professor e treinava grupos de acadêmicos para atuarem nas áreas sociais.
Dentre suas principais obras estão: O poder simbólico; As regras da arte; O ofício do sociólogo e A distinção crítica social do julgamento. Bourdieu nasceu em 1930 em Denguin – França e faleceu em Paris em 23 de janeiro de 2002.

sábado, 19 de abril de 2014

Minidocumentário: As famílias que (pre) ocupam São Paulo

O minidocumentário "As famílias que (pre) ocupam São Paulo é um pouco do perfil das pessoas que moram em prédios ocupados na Capital, a história contada desde a líder Carmem da Silva Pereira (Coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST) até seus ocupantes. 
Confira o minidocumentário produzido para a seleção do 7º Curso Descobrir São Paulo - Descobrir-se Repórter da Oboré e Escola do Parlamento.


Produção, roteiro e locução em off: Bruno Martins

Minidocumentário: Universitários que fumam

O minidocumentário Universitários que fumam foi produzido pelos alunos dos cursos de jornalismo e publicidade para um trabalho acadêmico, nas dependências da Universidade Guarulhos. As entrevistas foram feitas com alunos e professores da universidade.  


Direção: Naiara Neves e Thalita Melo
Roteiro: Marcela Correia
Filmagem: Miguel Augusto e Bruno Martins
Produção: Bruno Martins
Colaboradores: Diego Davóglio

São Paulo e os dois lados do problema viário

Mais uma matéria minha publicada na rede Nossa São Paulo

"São Paulo e os dois lados do problema viário"

A matéria aborda um tema importante e pouco discutido em São Paulo o problema que a capital enfrente diariamente com os ônibus intermunicipais e as soluções que não são tomadas pelos órgãos competentes. Para a elaboração desta matéria contei com a opinião de Horácio Augusto Figueira, consultor de Engenharia de Transporte de Pessoas e de Frederico Bussinger, ex-secretário Municipal de Transportes de São Paulo.
Saiba o que eles disseram e a solução que São Paulo pode tomar que trará resultados em curto prazo.
Fonte: Rede Nossa São Paulo
http://www.nossasaopaulo.org.br/noticias/sao-paulo-e-os-dois-lados-do-problema-viario

A matéria foi escrita após o terceiro encontro do 7º Curso Descobrir São Paulo - Descobrir-se Repórter da Oboré e Escola do Parlamento. Palestrante Frederico Bussinger ex-secretário Municipal de Transportes em São Paulo. Coordenador do Curso Milton Bellintani.

A Tecnologia da Saúde já chegou aos extremos de São Paulo

Minha matéria publicada na Rede Nossa São Paulo

"A Tecnologia da Saúde já chegou aos extremos de São Paulo"

A matéria aborda o tema dos Prontuários eletrônicos que a secretaria de Saúde de São Paulo pretende implantar em toda a rede. No entanto o Prontuário Eletrônico já é utilizado na Zona Leste da Capital. Saiba em qual bairro e como ela funciona.

Fonte: Rede Nossa São Paulo
http://www.nossasaopaulo.org.br/noticias/tecnologia-da-saude-ja-chegou-aos-extremos-de-sao-paulo

A matéria foi escrita após o segundo encontro do 7º Curso Descobrir São Paulo - Descobrir-se Repórter da Oboré e Escola do Parlamento. Palestrante Dr. David Braga Junior. Coordenador Milton Bellintani